Quem sou eu

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Sou escritora e atriz. Adoro ler, escrever, assistir a filmes e ir ao teatro. Escrevi dois livros "A ilha e a menina" e "Livremente Mara", que virou peça de teatro e estreia no final deste ano.

sábado, 2 de julho de 2016

Metade de um sol amarelo

Meus dias não se orientam por fins de semana, muitas vezes eles se igualam numa sucessão monótona de dias. Tudo se interrompe com os passeios, viagens, e até mesmo com filmes. Assim, sendo hoje sábado, querendo descansar e conhecer um pouco mais do mundo, escolhi um filme todo especial para assistir. Chama-se “Metade de um sol amarelo” Acontece na Nigéria e tem uma história incrível. Acontecem traições familiares que, se não houvesse uma guerra, as pessoas nunca se perdoariam. Mas, a necessidade de ajuda, de estar junto é tão maior, que os seres humanos desse filme se perdoam. Dão outra chance. Eu coloco aqui seres humanos ao invés de personagens, porque eles se mostram de uma maneira tão sincera e crua que a impressão que se tem é que os conhece.
Esse filme é uma adaptação de um romance de Chimamanda Ngozi Adichie, uma nigeriana que é uma das mais importantes jovens autoras da literatura africana. O nome original do livro é  Half of a Yellow Sun – Meio sol amarelo. Esse livro eu quero ler, com certeza, assim como os outros que ela escreveu.
Um dizer desse filme que me marcou foi um diálogo em que as gêmeas  Olanna e Kainene relembram a fala do avô delas, quando narrava as coisas terríveis que passara na Nigéria. Ele dizia: “Não me matou, me fez conhecedor.”

quarta-feira, 29 de junho de 2016

O Marido Ideal

Acabei de assistir a um filme interessante, “O Marido Ideal”. Logo vi, pela estrutura do enredo que se tratava de uma peça de teatro adaptada para o cinema. Na verdade, é uma adaptação adorável de uma peça chamada “Um Marido Ideal” de Oscar Wilde. A história é toda engenhosa, com personagens caricatos, que às vezes chegam a ser infantis. Mas a ingenuidade ou maldade genuínas podem nos trazer uma segurança, uma referência neste mundo em que os vilões e mocinhos andam tão misturados. A dualidade entre bem e mal, essa divisão tão clara numa história, às vezes nos deixa tão felizes quanto ouvir um conto de fadas. E quem não gosta de histórias felizes? Quem não é apaixonado por um “happy ending”? Agora ficou meio antigo gostar de coisas comuns e eu sou careta mesmo. Adoro um finalzinho feliz, principalmente se for o meu!
E aproveitando a deixa, achei lindo o comentário de uma das personagens que fala da diferença entre olhar e ver e que só se enxerga realmente uma coisa quando você percebe a beleza que existe nela.


Beijo a todos!

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Aquilo que não me destrói, me fortalece

Quando se faz uma escolha, somos inocentes, achamos que logo logo a vida se assenta. Mas, às vezes, é difícil encaixar o trem na linha novamente. O tempo vai passando e tudo que temos é uma fé,  e quando ela não existe mais, rezamos para resgatá-la. Não está fácil engolir o dia hoje.  Eu sei que nem é bom compartilhar esses sentimentos ruins com os meus possíveis leitores. Hoje em dia, o povo só está querendo ler coisas estimulantes. No entanto, dá um certo conforto saber que – quando admitimos que sofremos - não é apenas nós que sentimos dor, que caímos, que fracassamos. Faz parte da vida também perder.  Assisti a um filme muito bonito esses dias, chama-se "A Sorte do Vinicultor". Um camponês queria ir além dos vinhos ordinários que produzia com o pai e produzir vinhos de qualidade, especiais. Todavia, na vida dele não dava nada certo, até que ele avistou um anjo em carne, osso e asas. Todo ano eles se encontravam. Muita coisa deu errado nesse tempo e um dia o camponês lamentou e perguntou o por quê daquele sofrimento todo. Então o anjo disse que, na vida, para ela ter sentido, precisamos da tristeza e da alegria, e que não dá para se produzir um vinho bom sem ter produzido um tanto de vinho ruim. E que tudo que se sente, se vive, passa para o sabor da bebida. É claro que, depois de muita persistência, a vida dele melhora e ele passa a produzir vinhos de alta qualidade. Daí eu tirei uma lição, que para vencermos, é preciso engolir um monte de fel e ter paciência. Isso vai nos dando estrutura, vai nos fortalecendo. E como já dizia Nietzsche "Aquilo que não me destrói, me fortalece."

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Happy Ending


Certo dia eu estava meditando em plena aula de yoga quando tive um breve sonho, daqueles que duram segundos, mas que nos levam para todo um contexto pronto, como se fôssemos transportados para uma realidade que já conhecíamos. Lá eu tinha um companheiro. Abri os olhos e havia um sorriso aberto no meu rosto. Percebi o quanto seria bom ter uma pessoa do meu lado, na minha vida. Num filme uma vez ouvi uma personagem falar que buscamos uma testemunha no decorrer da vida, assim nossos feitos, por menores que sejam, fazem sentido. Conseguimos sobreviver sozinhas? Sim! Aprendemos com o tempo de solidão a tirar o melhor dela. Curtimos as amigas, passeamos, viajamos e, principalmente, rimos muito! Não que agora que encontramos nossos companheiros, perdemos as alegrias de estar sozinha, muito pelo contrário. O futuro nos leva a algo ainda mais pleno, porque a pessoa amada só apareceu quando nos completamos por nós mesmas.  Observo minha amiga toda em rosa, agarrada em flores amarelas, feliz ao lado de seu querido amor. A etapa em que a princesa casa e vai curtir o seu “felizes para sempre”. Porém, já somos muito experientes para sermos tão infantis. Estamos apenas mudando de fase, mais contentes, claro! Afinal, estar com o amor da nossa vida pode não ser um “happy ending”, mas pode ser o começo de uma vida mais alegre, com mais sentido sim, por que não? Voltamos à beleza da união entre um homem e uma mulher, coisa que acontece desde que mundo é mundo, mas que nunca perde a sua graça e quando acontece com a gente, parece que é uma descoberta única, um sentimento singular em todo o Universo. É assim que vejo a minha amiga partir para esta nova etapa, toda envolta em flores, amores, o retrato de um dia que amanhece feliz. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Roçando os pés nas nunvens

Despertei de um sono macio. Não sei direito o que sonhei, mas não era, com certeza, o sonho pavoroso de ir à cabeleireira e ela cortar o meu cabelo bem curtinho e eu chorar horrores. De noite, não sofri as penas de ter que desapegar de pessoas que gosto muito. Já me acostumei com a minha nova realidade: estou submissa ao adeus. O importante mesmo é que hoje acordei ainda sentindo o roçar das nuvens aos meus pés!

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Água doce

Desvendo-me aos poucos que é para não me tornar vulgar aos seus olhos. Sou um oceano, mas deixo a sua vista apenas um córrego de água doce. Se você sentir sede das minhas águas, te deixo levar pela correnteza, atingir as minhas pedras, ondas e chegar até ao abandono doce da superfície azul.

Quando me falta o sal...

Tem horas que entro num buraco negro. Só que esse lugar não tem cor; nem preto é. É invisível, quando estou lá dentro ninguém me vê. Quando o meu ânimo só se esforça para ser insípido, é para lá que eu vou.