Quem sou eu

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Sou escritora e atriz. Adoro ler, escrever, assistir a filmes e ir ao teatro. Escrevi dois livros "A ilha e a menina" e "Livremente Mara", que virou peça de teatro e estreia no final deste ano.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Foram os poetas que criaram a neblina


Gostaria de permanecer no silêncio, pois as minhas palavras me denunciam. No entanto, se me calo, sinto que morro. A cidade se entope de névoa cinza, como se estivesse mergulhada no umbral. Lembro-me de um dizer de Oscar Wilde que fala que quem criou a neblina de Londres foram os poetas. Na tela, a escritora Jane Austen não se casa nem por amor, nem por falta dele. Prefere a liberdade das palavras, se prender às possibilidades de uma vida feliz, que a realidade nua e crua de um casamento sem sentido. Rio porque sou livre e, de certa forma, me sinto como Jane. No entanto, sou privilegiada de viver neste tempo, em que as mulheres já não são mais obrigadas a viver sob o abrigo da moralidade exacerbada, da rigidez. Nós vivemos na era do ouro, pois podemos experimentar os dois lados da moeda, sem muitos prejuízos. É claro que isso nos acarreta mais insegurança, como se pisássemos em terra solta, escorregadia. Às vezes temos que calar a boca da paixão e deixá-la num canto qualquer. O caso é que a minha uiva e, mesmo com todas as apunhaladas que defiro nela, está difícil sufocá-la. O jeito é ficar bem quietinha, fingir que ela não existe. Quem sabe ela vai embora e me deixa em paz. 

segunda-feira, 2 de março de 2015

Últimos instantes em Sodoma e Gomorra

Aquela água caindo pelas minhas costas, como se eu própria fizesse parte daquela cascata branca, meu corpo seminu sendo envolvido pelo véu suave e fresco tecido pelo bem mais precioso da Terra, me fez descer do céu dos devaneios e ter um pouso seguro no solo da racionalidade, das escolhas. Livrar-me de me soltar ao vento e simplesmente decidir: não! Não é por aí que quero ir! Quero chegar mais longe, certos caminhos e distrações só vão atrasar a minha jornada. É claro que ainda lembro dos seus cabelos tocando a minha pele, do seu sorriso aberto, e daquela vontade incrível de ficar mais um pouco. Mas é preciso olhar para o chão e dizer: não! Até porque você está no mundo das ideias, não é real, também é parte de um sonho. O que em ti que é matéria não corresponde com o que sinto. É melhor ir embora, antes de me ajoelhar implorando a qualquer preço um carinho distraído, isso não é razoável com o que mereço. Encaro-me no espelho e digo: não! Prefiro levar você para a minha alcova de lembranças boas, daquelas especiais. Não é melhor assim? É preferível dizer adeus antes do encontro, não tenho tempo para comprovar as minhas teses, tenho sentimento demais para me jogar em um experimento que, à primeira vista, já parece mal logrado. Estou novamente pisando em solo compacto, no mundo das coisas palpáveis. Difícil à beça dizer não! Mas por amor a mim e pelo que luto, abandono Sodoma e Gomorra sem olhar para trás.