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Sou escritora e atriz. Adoro ler, escrever, assistir a filmes e ir ao teatro. Escrevi dois livros "A ilha e a menina" e "Livremente Mara", que virou peça de teatro e estreia no final deste ano.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Criada a som de bicho

Olá, saudações aos possíveis, talvez invisíveis leitores!
Fico pensando em quem se interessaria por esses assuntos tão estranhos como inventar uma história e escrevê-la. Coloquei uma música para tocar, para ver se abafa os sons alheios – muito barulho por aqui. Uma coisa que me incomoda muito é barulho. Não sei por que. Acho que é porque fui criada no quase absoluto silêncio. Tanto é que se fechar os olhos me lembro dos programas de rádio que meu pai gostava de ouvir na hora do almoço. Mas meu pai trabalhava muito e minha mãe – que era quem ficava comigo – nunca ouvia música ou algum programa qualquer de rádio. A gente morava numa casa em que o fundo dava para uma mata. Assim, me acostumei com o som dos passarinhos, dos macacos e dos bichos todos que nos rodeavam. Mas não consegui me acostumar com barulho de gente. Parece estranho, não? Ainda mais que sou professora e adoro dar aulas para os pequenos. E eles fazer a maior balbúrdia! – Que antagonismo! Mas não tem coisa melhor do que eles fazerem fila para me dar beijinho no rosto no final das aulas. Na verdade, o som só me incomoda quando escrevo. Ou quando estou tentando dormir. No entanto o desafio é: escrever mesmo que as condições sejam adversas. Mesmo que o mundo esteja berrando lá fora é necessário dar um jeito de me concentrar e escrever.
Como não é dia de eu lecionar, resolvi dar uma volta aos arredores de casa e chegar até um parque que tem aqui perto. Troquei meus exercícios aeróbicos de esteira e bicicleta ergométrica por um passeio nesse dia maravilhoso que fez hoje. Seria um desperdício enorme chegar à academia e ficar lá dentro como um ratinho na gaiola, com aqueles brinquedinhos deles, aquelas rodinhas, sabe? Eles andam, andam e não chegam a lugar nenhum. Igual a gente na esteira. Você caminha, caminha e não vai a lugar nenhum. A que ponto o ser humano chegou, não? A ponto de criar uma máquina para você caminhar, somente para se exercitar. Toda vez que apareço por lá fico aborrecida pensando nessas coisas. Aí fico imaginando que pelo menos se poderia aproveitar esses movimentos da gente para gerar energia elétrica. E assim vai passando os longos minutos de exercício. Infelizmente não tem outro jeito. Não são todos os dias da minha vida que tenho a oportunidade de dar um passeio lindo como o que fiz hoje. E eu acabo voltando para a esteira e afins para manter a saúde e a forma.
Falei que falei e não cheguei ao ponto principal que é falar da minha tarefa de escrever o romance. Na verdade, por conta do “LIVREMENTE MARA” que vai sair em setembro, fico um tempo dedicando a ele também. Aliás, esse filho já estou parindo. E ele necessita de atenção. Mas não posso deixar de pensar no outro que vai sair também um dia. O romance está dando trabalho. Tenho muitas ideias, muitas coisas para colocar. Mas quando penso no que vou escrever daqui a pouco, não me agrado. Será que estou com medo de errar? Com medo de escrever asneiras? Mas se escrever algo que me desagrade, apago, pronto. Qual é o problema?
Um abraço a todos,
Raquel de Souza

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