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Sou escritora e atriz. Adoro ler, escrever, assistir a filmes e ir ao teatro. Escrevi dois livros "A ilha e a menina" e "Livremente Mara", que virou peça de teatro e estreia no final deste ano.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Ensaio mínimo sobre a brancura do papel


Diante do branco a minha frente lembro-me do fim de “Ensaio sobre a Cegueira” do meu escritor predileto José Saramago, quando uma das personagens olha para o céu e vê tudo branco. Essa brancura que ele fala sempre ficou na minha cabeça e, agora, olhando mais uma vez para essa página alva compreendo. A brancura só pode ser a do papel. Com toda essa tecnologia, será que não dava para colocar umas opções de página de outras cores no editor de texto? Por que só branco? Podia ser um amarelinho, um azul. Mas branco? Já ouvi falar que tem gente que tem pavor de branco, chega num consultório médico ou numa enfermaria e já gela de pavor. A brancura realmente apavora. Ficar cego e ver tudo branco deve ser desnorteante. Ausência de sensações.

Como uma fruta verde, pegajosa, não porque é bom, mas para sentir que vivo, que estou. Alguém já se machucou e sentiu prazer de ver o próprio sangue escorrer? Dá uma impressão de vivacidade verificar de vez em quando que corre sangue quente nas veias. Preciso saber que estou viva. Que apesar de estar presa diante de uma folha cândida, vivo.

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